quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico


"Controverso", talvez seja a palavra que resuma não só o disco, mas a banda também... O Velvet Underdround foi talvez a pioneira no que podia ser chamado de Art-Rock, a banda liderada pelo gênio Lou Reed surgiu em '64 fazendo sons experimentais, baseados em assuntos que pra época eram totalmente subversivos como drogas (muitas drogas...), sadomasoquismo, prostitutas e tudo mais... O primeiro lançamento da banda aconteceu só em '67 e talvez por causa do conteúdo das músicas, o jeito experimental, a simplicidade do rock 'n roll na época, as vendas tiveram números ridículos... Os discos seguintes também não venderam grande coisa e pra falar a verdade a banda só passou a ser cultuada após o seu fim em '73, tornando-se um dos maiores ícones do rock alternativo.

É impossível falar de Velvet Underground sem citar Andy Warhol, artista plástico e financiador da banda principalmente no seu início. A influência de Warhol no trabalho da banda é discutível e de certa forma é difícil dizer se ela foi boa ou ruim. Andy Warhol chegou a forçar a inclusão de um integrante indesejado na banda, a modelo alemã Nico. O som da banda era totalmente vanguardista e as bandas influenciadas por ela só vieram bem depois. The Stooges, Joy Division, Nirvana, Sonic Youth, são bandas que declaradamente tem no Velvet Underground uma influência direta... Após o fim da banda os integrantes pouco se destacaram, exceto Lou Reed, que teve uma carreira solo brilhante apesar de não ter lá um relacionamento muito bom com a imprensa, muito por culpa de seu humor sempre péssimo. A banda tentou se reunir na década de 90, obviamente chamando atenção de publico e mídia, mas decepcionando a todos por não surgirem com nenhum material novo a não ser um disco ao vivo... O Velvet Underground é mais uma das bandas que apesar de muitos anos de espera, tiveram seu reconhecimento e mudaram significativamente os rumos de muita gente que um dia tiveram a idéia de fazer rock 'n roll.

Sobre o Disco: Um ícone do rock 'n roll no século XX desde a capa, assinada por Andy Warhol, até a sua última música. O jeito descompromissado de se fazer rock para o rádio fez com que esse disco se tornasse algo que estava andando totalmente na contramão do que era feito na época. Difícil ver alguma banda falando de drogas e sexo tão abertamente em '67, vale o destaque também pra visível segregação no título do disco, no qual o nome de Nico está separado do resto da banda, mostrando o que eles pensavam sobre a presença dela. Polêmico, insano, à frente de seu tempo, caótico, tranquilo, barulhento, tudo ao mesmo tempo... Vale à pena ouvir conhecer o trampo desses caras que marcaram a história do rock por tudo aquilo que tiveram a capacidade de influenciar...


Ouça, viaje e sinta-se livre pra achar bestial ou besta... À sua escolha...


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os Novos Baianos - Acabou Chorare



Ah, galera... Tá aí uma banda, um disco, um som, uma atitude, uma vibe, que mudou a vida deste que vos escreve pra sempre... Eu sei que vai causar certa estranheza esse disco figurar aqui, mas voltemos ao objetivo do blog: mostrar pra galera que acessa, música na essência, independente de estilo, época, nacionalidade e tudo mais... Vamos ao que interessa...

Os Novos Baianos representaram o que havia de diferente na música brasileira dos anos 70. É lógico que muita coisa vinha tomando um rumo diferente, tinhamos Mutantes, Caetano, Gil, Chico Buarque, João Gilberto e tantos outros num período altamente criativo. Inspirações não faltavam. A política, a alienação, a repressão, tudo isso soa um pouco familiar, não? O fato é que numa época onde a divulgação e os veículos de comunicação eram ridiculamente precários comparados a hoje, onde havia um bairrismo e uma segregação fodida, era impensável que um bando de músicos loucos iriam se aventurar da Bahia pra cá, pra morar em uma verdadeira sociedade alternativa no Rio de Janeiro. Pois é, mas eles fizeram isso... E isso rendeu talvez a primeira grande revolução da nossa música, jovens fazendo música sobre liberdade, regadas à muito ácido, futebol, liberdade sexual e tudo aquilo que afrontava a sociedade hipócrita da época, isso também soa um pouco familiar, né?
Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Pepeu Gomes e Jorginho Gomes formavam o time, a criatividade transbordava em cada letra, em cada nota tocada. Não havia preconceito em tocar samba, rock, baião, em citar o folclore, em fazer letras viajadas, tudo era permitido... Como tudo que é bom, a banda também não poderia ter durado muito, a saída de Moraes Moreira em '74 após quebrar o pau com a gravadora (estranho?), desfalcou significativamente a banda, que decidiu se separar e tomar rumos diferentes em '79. Pepeu se tornou um dos grandes guitarristas da chamada "World Music" (what'a fuck?!), Baby, Paulinho e Moraes tiveram carreiras bem sucedidas nos anos seguintes e Galvão se destacou principalmente como escritor... Fim triste, talvez, mas a gente tá cansado de exemplos de gênios que trabalharam juntos e acabaram se separando por uma quantidade enorme de vontades, egos e idéias sobre diretrizes diferentes, enfim, o importante foi o legado fantástico que os caras deixaram...

Sobre o Disco: Tem alguns discos que nascem, sobrevivem e são ouvidos por gerações e gerações ocupando o status de obra-prima. "Acabou Chorare" de '72 é um disco que está nesse hall, e por que? O que se pode pensar de um disco que mistura absolutamente tudo o que havia na música brasileira, além da influencia gringa que já estávamos começando a ter aqui? Samba tocado com guitarra? Bossa Nova tocada em letra psicodélica e acordes simples? Rock Setentista misturado com Baião? Sim, é possível! Difícil não ficar apaixonado por esse disco, é difícil também depois de umas 3 audições não se pegar cantando: "Preta, Preta, Pretinha... Eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca...". Pra ouvir, se impressionar, virar fã (ou não...) e entender por que tanta coisa boa surgiu na nossa música depois. Espero que esse disco mexa pelo menos um pouquinho com a cabeça de vocês, como mexeu com a minha há uns anos atrás, pra não parar mais...

Acabou chorare, ficou tudo lindo! Tinindo Trincando!

Never Walk Alone Fest - II


Ao contrário dos últimos, o post de hoje não vai indicar nenhum cd, porém continua trazendo música boa...

O NWA (Never Walk Alone) é um festival que será realizado em fevereiro nos dias 06 e 07, com o que há de melhor na música independente nos dias de hoje, hardcore, grunge e crossover de primeira linha reunindo amigos da velha e da nova escola, todos com a mesma essência... amor ao rock'n roll!

O festival contará com a presença de 12 bandas e será realizado nos dias 06 e 07 de fevereiro no Inferno Club, os ingressos custarão 15 mangos antecipados e valerão pelos 2 dias (se não me engano já estão a venda na galeria), na porta custará 20 mangos.

E levem capacete q vai ser só pedrada na orelha!

Mais informações: Never Walk Alone II

Confira o set:

Paura
Bandanos
Clearview
End Hits
Inkognitta
Take Of the Halter
Fim do Silêncio
Stronger Than Before
Corleone
Your Fall (PR)
Ralph Macchio
Jeffrey Dahmer

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Seaweed - Four / Spanaway



Um pouco "ofuscados" pela grande explosão do grunge na década de 90 o Seaweed, banda formada em 89 pelos amigos de colégio Clint Werner, Aaron Stauffer, Wade Neal, John Atkins, e Bob Bulgrien, na cidade de Tacoma WA., nos traz um som agressivo e melódico, misturando elementos do grunge, do hardcore e uma pitada de punk rock, agradando muitos ouvidos na cena local. Com isso não demorou muito para que eles fechassem com a Sub Pop, gravadora independente da cena de Seattle e Washington (conhecida por ter trabalhado com artistas como Nirvana,Soundgarden, L7, Sunny Day Real State, Mudhoney), e lançassem um Ep (Despised) e dois álbuns (Weak and Four). Após lançar em 95 pela Hollywood Records o àlbum Spanaway, o Seaweed conquista espaço em sua primeira Warped Tour abrindo shows para bandas como Bad Religion e Green Day.
Apesar desses acontecimentos as vendas dos albuns não atingiram números muito expressivos e

a banda passou a se ver muito indie para as grandes gravadoras, então em 99 assinaram com a Merge Records e lançaram o álbum Actions and Indications, com Alan Cage (Quicksand) na bateria, já que Bob Bulgrien havia deixado a banda em 96. Após uma turnê pelo Brasil e EUA, os caras resolvem dar um tempo com a banda voltando em 2007 no Bumbershoot em Seattle e está em atividade até hoje, tendo fortes influências em grandes bandas nacionais e internacionais como Garage Fuzz e Hot Water Music.

Sobre os discos: Four - Album lançado em 93 traz um forte grunge, vocal melódico e muita distorção. Um clássico da banda o album também traz musicas como Losing Skin, Card Tricks e Kid Candy. Spanaway - Lançado em 95 este álbum é por muitos considerado um dos melhores ao lado de Actions and Indications. Com guitarras mais agressivas e melódicas e Bob Bulgrien sentando a mão na bateria, o álbum só traz pedrada, é o clássico para ouvir no talo!

Bota saporra pra toca ae ó!

Four - 1993


Spanaway - 1995


sábado, 9 de janeiro de 2010

Temple of The Dog - Temple of The Dog


E aqui vai um disco que ao contrário dos que foram postados anteriormente, atingiu um lugar especial no mainstream ainda que com certo atraso (positivo? negativo? who cares?), mas que influenciou demais o trabalho de duas grandes bandas que depois ganhariam o mundo com toda a justiça, sendo elas Pearl Jam e Soundgarden. A banda em si não teve grandes pretensões e aliás é até meio contraditório chamá-la de banda, o TOTD surgiu na verdade como um projeto para homenagear um cara chamado Andrew Wood, considerado um dos pioneiros da cena Grunge que tomava conta de Seattle e que todo mundo sabe muito bem que rumo levou. Andrew era visto como um dos músicos mais talentosos da época e foi vocalista de duas bandas expressivas do início grunge, Mother Love Bone e Malfunkshun, mas infelizmente o mundo não teve a oportunidade de conhece-lo e dar-lhe o devido reconhecimento. Um aneurisma hemorrágico causado por uma overdose de heroína deu fim prematuro à vida de Wood aos 24 anos. Daí surgiu a idéia de homenagear o cara, montando um "super-grupo" com amigos e ex-companheiros de banda de Andrew, o time era formado por Chris Cornell (vocalista do Soundgarden), e mais cinco, na época, "futuros" Pearl Jam (Stone Gossard, Mike McGready, Jeff Ament, Matt Cameron e Eddie Vedder, que participa de 5 músicas do disco, incluindo o grande hit, "Hunger Strike"...). Não é necessário dizer que o projeto ficou fantástico, mas de fato só teve seu devido reconhecimento após o Pearl Jam lançar seu antológico "Ten" em '91. Antes tarde do que nunca, essa fusão fortaleceu a cena, mostrou ao mundo grandes músicos e cumpriu seu real objetivo, uma linda homenagem a um talentoso músico que infelizmente não teve oportunidade de desfrutar da fama e reconhecimento que seus companheiros tiveram depois...

Sobre o Disco: Uma aula Grunge com um mega-inspirado Chris Cornell e uma banda em grande forma, que mostra ao longo do disco tanto nos momentos de mais peso, como nos sons mais leves uma sintonia imensa... Definitivamente, uma das mais belas homenagens que poderia ter sido feita à quem tanto mereceu... Ouça, tome uma breja e viaje!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Embrace - Embrace


O Embrace é uma banda punk (vista por alguns como uma banda post-hardcore) que surgiu na metade dos anos 80 em Washington DC, em um cenário de descontentamento de algumas bandas fundadoras da cena local, ao verem cada vez mais os shows transformando-se em algo violento e mainstream. No verão de 1985, conhecido como "Revolution Summer" pela cena local, começam a aparecer bandas que além de preferirem shows menores e com aspectos mais íntimos, possuiam uma interpretação mais pessoal e introspectiva do punk rock.
Formada por Ian MacKaye (vocals), Ivor Hanson (drums), Michael Hampton (guitar), Chris Bald (bass) - ex membros das lendárias bandas de punk Minor Threat e Faith - o Embrace tras um punk simples e melódico, com um groove a mais na bateria e o vocal rasgado típico do Ian. As letras são bem diretas e abordam reflexões sobre temas como política, religião, dinheiro e questões pessoais/sociais.
A banda em si teve uma vida curta (do verão de 85 à primavera de 86) gravando um único álbum que leva o mesmo nome da banda e foi lançado originalmente em 87.

Sobre o Disco: Única obra da banda, traz uma mistura de punk e groove, também pode ser visto como uma prévia... ou melhor dizendo... a essência do som que posteriormente viria a ser mais trabalhado e "aprimorado" pelo Ian MacKaye e os outros membros do Fugazi (banda posterior ao Embrace que logo logo postaremos aqui no blog).
Bom acho que é isso rapaziada... no mais... só ouvindo mesmo... meia hora de punk, groove e protesto!

Have Fun!

Embrace - Embrace

Grand Funk Railroad - On Time


O Grand Funk Railroad foi uma banda que surgiu na metade dos anos 60 nos Estados Unidos fazendo um som um pouco diferente daquilo que rolava na mídia da época, principalmente quando pensamos em Beatles e Rolling Stones, que eram as bandas que davam as cartas na época...
Numa época onde mesmo com a rebeldia forjada dos Stones, a genialidade de Beatles e outras bandas como Cream, Yardbirds e tantas outras, surgir uma banda que já fazia um som considerado "sujo" na época era algo que não dava pra imaginar...
Precisa dizer o quanto foram malhados pela imprensa??? Velhos tempos, atitudes familiares aos dias de hoje... Enfim, o fato é que apesar de tudo, o trampo dos caras quebrou barreiras e influenciou de maneira muito positiva bandas que viriam depois, nem vou citar nomes, só de ouvir já vai dar pra sacar em qual fonte muita banda que veio depois bebeu...

Sobre o Disco: uma aula de 58 minutos do mais puro, honesto e forte classic rock, primeiro disco dos caras de 1969... Tacada na orelha da primeira à última música com a voz e a guitarra do gênio Mark Farner, aquele clássico baixo de Mel Scharcer (que lembra muito John Entwistle do The Who, pelo peso, não pela técnica) e a batera de Don Brewer (lembrando diretamente Mitch Mitchell da banda do mestre Jimi Hendrix...), sem mais delongas, crianças... eis um clássico, "On The Time" dos grandes (sem trocadilhos...) Grand Funk Railroad...