
Ah, galera... Tá aí uma banda, um disco, um som, uma atitude, uma vibe, que mudou a vida deste que vos escreve pra sempre... Eu sei que vai causar certa estranheza esse disco figurar aqui, mas voltemos ao objetivo do blog: mostrar pra galera que acessa, música na essência, independente de estilo, época, nacionalidade e tudo mais... Vamos ao que interessa...
Os Novos Baianos representaram o que havia de diferente na música brasileira dos anos 70. É lógico que muita coisa vinha tomando um rumo diferente, tinhamos Mutantes, Caetano, Gil, Chico Buarque, João Gilberto e tantos outros num período altamente criativo. Inspirações não faltavam. A política, a alienação, a repressão, tudo isso soa um pouco familiar, não? O fato é que numa época onde a divulgação e os veículos de comunicação eram ridiculamente precários comparados a hoje, onde havia um bairrismo e uma segregação fodida, era impensável que um bando de músicos loucos iriam se aventurar da Bahia pra cá, pra morar em uma verdadeira sociedade alternativa no Rio de Janeiro. Pois é, mas eles fizeram isso... E isso rendeu talvez a primeira grande revolução da nossa música, jovens fazendo música sobre liberdade, regadas à muito ácido, futebol, liberdade sexual e tudo aquilo que afrontava a sociedade hipócrita da época, isso também soa um pouco familiar, né?
Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Pepeu Gomes e Jorginho Gomes formavam o time, a criatividade transbordava em cada letra, em cada nota tocada. Não havia preconceito em tocar samba, rock, baião, em citar o folclore, em fazer letras viajadas, tudo era permitido... Como tudo que é bom, a banda também não poderia ter durado muito, a saída de Moraes Moreira em '74 após quebrar o pau com a gravadora (estranho?), desfalcou significativamente a banda, que decidiu se separar e tomar rumos diferentes em '79. Pepeu se tornou um dos grandes guitarristas da chamada "World Music" (what'a fuck?!), Baby, Paulinho e Moraes tiveram carreiras bem sucedidas nos anos seguintes e Galvão se destacou principalmente como escritor... Fim triste, talvez, mas a gente tá cansado de exemplos de gênios que trabalharam juntos e acabaram se separando por uma quantidade enorme de vontades, egos e idéias sobre diretrizes diferentes, enfim, o importante foi o legado fantástico que os caras deixaram...
Sobre o Disco: Tem alguns discos que nascem, sobrevivem e são ouvidos por gerações e gerações ocupando o status de obra-prima. "Acabou Chorare" de '72 é um disco que está nesse hall, e por que? O que se pode pensar de um disco que mistura absolutamente tudo o que havia na música brasileira, além da influencia gringa que já estávamos começando a ter aqui? Samba tocado com guitarra? Bossa Nova tocada em letra psicodélica e acordes simples? Rock Setentista misturado com Baião? Sim, é possível! Difícil não ficar apaixonado por esse disco, é difícil também depois de umas 3 audições não se pegar cantando: "Preta, Preta, Pretinha... Eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca...". Pra ouvir, se impressionar, virar fã (ou não...) e entender por que tanta coisa boa surgiu na nossa música depois. Espero que esse disco mexa pelo menos um pouquinho com a cabeça de vocês, como mexeu com a minha há uns anos atrás, pra não parar mais...
Acabou chorare, ficou tudo lindo! Tinindo Trincando!

Ultimo post dia 13 da Janeiro? Vocs não tem vergonha na cara não?
ResponderExcluirParabens boys, informações com credibilidade deveriam ser mais respeitadas nesse país
Fernando